O banco de óvulos é, sem dúvida, uma realidade atual. Nós tivemos, até recentemente, técnicas de congelamento de óvulos que não expressavam resultados ideais, razão pela qual, rotineiramente, congelava-se embriões. As técnicas de congelamento utilizadas, até então, esbarravam em dificuldades, em razão do volume do óvulo em relação à sua superfície, e em razão dos danos causados ao seu citoesqueleto.
Esses dois inconvenientes faziam com que a sobrevivência dos óvulos no descongelamento fosse relativamente baixa, muito inferior aos resultados obtidos com o congelamento de embriões. A partir de 2001, começou-se a investir pesadamente no congelamento de óvulos, por conta dos conflitos éticos e legais provenientes do congelamento de embriões.
Na Itália, tivemos os trabalhos iniciados de Antinolfi, Giannaroli e Porcu. Fazioli Cobo, do Insitituto Valenciano de Infertilidade, na Espanha, Tan e colaboradores, no Canadá, e Cato, em Tóquio – no Japão, trabalharam nessa área para aprimorar os resultados obtidos no congelamento de óvulos.
Em 2007, tivemos um relato de Cato dando uma alta taxa de sobrevivência de embriões – cerca de 90% -, e de gravidez – aproximadamente 70% -, após a vitrificação, método muito usado na veterinária e que demonstrou uma eficácia muito grande no congelamento de óvulos. A partir daí, outros centros começaram a utilizar a técnica de vitrificação. Em Atlanta (EUA), Peter Nagy despontou com taxas espetaculares em relação à criopreservação dos óvulos. Portanto, foi na segunda parte desta década que tivemos os grandes avanços na fertilização in vitro.
A técnica beneficia mulheres com os seguintes perfis:
- Em idade reprodutiva, porém acometidas de câncer nos mais variados órgãos ginecológicos – principalmente câncer de mama -, que podem preservar sua fertilidade entregando o material genético a um banco de óvulos, já que tanto a quimioterapia quanto a radioterapia podem danificar o patrimônio de óvulos.
- Mulheres que desejam engravidar mais tardiamente, quando a qualidade dos óvulos pode estar alterada, gerando, portanto, embriões de má qualidade e resultando em um índice baixo de gravidez e alto de abortamento.
- Pacientes que tem excesso de óvulos. Com a possibilidade de congelar óvulos, estes são retirados e armazenados para serem fertilizados posteriormente, sem os riscos acarretados pelo hiperestímulo.
O banco de óvulos possibilita à mulher moderna escolher o momento de engravidar, mesmo com a capacidade ovariana exaurida, bastando programar um armazenamento de óvulos por volta dos 25 aos 32 anos e, em até 10 anos, utilizar esses óvulos, que terão permanecido jovens.
Essa técnica atende também aos anseios teológicos e jurídicos, já que permite o armazenamento de óvulos, e não de embriões, evitando implicações sobre posse, descarte e congelamento de embriões.