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Intrauterine insemination: a realist alternative in assisted reproduction.
Alessandro Schuffner, R. S. Polleto, T. Plácido
Reprodução e Climatério 2009;24(1):18-22

Resumo

Objetivo: o propósito deste estudo é determinar se a probabilidade de gravidez aumenta com a utilização da Inseminação Intra-Uterina associada à hiperestimulação ovariana controlada.

Material e Métodos: este estudo prospectivo incluiu 51 mulheres submetidas a 64 ciclos de inseminação intraovariana. Três protocolos de estimulação ovariana foram utilizados: citrato de clomifeno mais gonadotrofina menopausal humana, gonadotrofina menopausal humana ou hormônio recombinante folículo estimulante isolados. As pacientes foram monitoradas por meio de ultra-sonografia transvaginal e determinações séricas dos níveis de hormônio luteinizante e hormônio folículo estimulante. Foram, ainda, separadas por idade em dois grupos: grupo 1(? 35 anos) e grupo 2 (> 35 anos).

Resultados: observou-se uma taxa de 18,7% de gravidez por ciclo e de 23,5% de gravidez por paciente. As taxas de gravidez foram três vezes maiores no grupo 1 em comparação com o grupo 2 (24,3% e 8,7%, respectivamente). Não foram observadas diferenças em relação aos parâmetros de hormônio folículo estimulante, espessura do endométrio, número de folículos >16 mm, concentração espermática, total de espermatozóides móveis e taxa de gravidez nos diferentes protocolos de estimulação ovariana. Conclusões: os achados do presente estudo dão suporte à utilização da Inseminação Intra-uterina no tratamento para casais inférteis.

Unitermos: Infertilidade; Inseminação; Estimulação Ovariana.

Introdução

A infertilidade sem causa aparente é um diagnóstico comum em 30% dos casais inférteis e é estabelecido quando as investigações clínicas (análise seminal, análise tubária e verificação da ovulação) não detectam anormalidades. O prognóstico é pior quando a duração da infertilidade excede três anos ou quando a idade da mulher é superior a 35 anos. Quando não se obtém sucesso com o tratamento convencional desses casais, a escolha seguinte recai em tecnologias mais sofisticadas em reprodução assistida, como a inseminação intra-uterina.

A inseminação intra-uterina (IUI) é freqüentemente usada na abordagem de casais inférteis não só para o tratamento da infertilidade sem causa aparente, mas também para várias outras causas de infertilidade, incluindo fator cervical, disfunção ovulatória, endometriose, causas imunológicas e fator masculino. Além disso, é também usada como tratamento para problemas ejaculatórios e coitais.

Isoladamente, a IUI pode elevar potencialmente a taxa de gravidez por auxiliar o espermatozóide a ultrapassar a barreira cervical. Os dados da literatura mostram, entretanto, que a taxa de gravidez é maior quando a IUI está associada a protocolos de estimulação ovariana. Tais protocolos incluem antiestrogênios (como o citrato de clomifeno) e gonadotrofinas com e sem GnRH agonistas/antagonistas, o que resulta em um número maior de óvulos que podem ser fecundados e consequente elevação nas taxas de gravidez.

Embora o citrato de clomifeno seja barato e requeira pouco monitoramento clínico, há relatos que a droga aumenta em 10% o risco de gravidez múltipla além de ter sido descrito um risco potencial para o câncer ovariano. As gonadotrofinas podem causar hiperestimulação ovariana e gravidez múltipla. Assim, a utilização de estimulação ovariana deve levar em conta os riscos e benefícios pretendidos.

Pelo fato de ser uma técnica mais simples, de menor custo e menos invasiva que outras técnicas de reprodução assistida, a IUI é considerada uma etapa intermediária, de baixa para moderada, complexidade antes da aplicação de tecnologias mais sofisticadas em reprodução assistida, como a fertilização in vitro (FIV) com ou sem a injeção intra-citoplasmática de espermatozóides (ICSI).

A taxa de sucesso da IUI permanece controversa e depende de vários fatores; no entanto, de 10 a 20% de gravidez clínica por ciclo é uma margem aceitável para todas as etiologias. Combinada à estimulação ovariana no tratamento da infertilidade sem causa aparente, a IUI pode ter taxa cumulativa de gravidez aproximada à obtida pela FIV, que varia entre 13 e 28% por ciclo, com um custo quatro vezes menor.

A proposta deste artigo é avaliar a eficácia da inseminação intra-uterina com estimulação ovariana na produção de gravidez em casais inférteis.

Conclusões

A utilização da IUI com ou sem hiperestimulação ovariana para a obtenção da gravidez, embora de menor custo em relação a outros métodos utilizados na reprodução assistida, permanece controverso. A revisão da literatura mostra que a maioria dos estudos possui amostras pequenas e falham na abordagem dos fatores intervenientes na infertilidade, como a idade da mulher, a duração da infertilidade ou a existência de gravidez prévia.

De modo geral, os resultados obtidos neste estudo indicam que a Inseminação Intra-Uterina combinada à hiperestimulação ovariana não deve ser excluída como um tratamento para infertilidade. Entretanto, são necessários estudos multicêntricos e com amostras maiores para que se dê suporte definitivo ao método.